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Tecnologias aumentam a eficiência do uso de nutrientes no campo



Análise de solo e Agricultura de Precisão são alguns dos caminhos para se obter melhor proveito dos fertilizantes.


O Brasil utiliza atualmente 8% de todo fertilizante produzido no mundo. O país está na quarta posição entre os maiores consumidores, atrás apenas da China, Índia e Estados Unidos. No entanto, tem um grande problema, a produção nacional

desse insumo é muito pequena. Para suprir a demanda da agricultura, importa-se mais de 85% das fontes de nutrientes. Além disso, a eficiência do uso de fertilizantes, muitas vezes, é baixa. Em média, aproveite-se em torno de 40 a 50% do fermento (N), 20 a 30% do Fósforo [P] e 70% do Potássio [K). E esses insumos podem representar mais de 40% dos custos de produção de algumas culturas.


Em uma situação internacional complicada, como a que está vivendo desde o final de 2021, com problemas na logística de distribuição e na guerra da Rússia com a Ucrânia, houve um alto preço desses produtos. A variação dos preços e os oferecidos no abastecimento têm sido grande preocupação dos produtores. Então, vive-se uma situação bem complexa, pois se importa um insumo caro, e este, muitas vezes, não é utilizado da melhor forma.


Existem vários caminhos para aumentar a eficiência do uso dos nutrientes no campo. Muitas tecnologias estão à disposição do produtor. Na sequência, são desenvolvidas algumas soluções tecnológicas que podem ajudar a melhorar na aplicação das boas práticas e contribuir para altas produtividades na agropecuária brasileira de forma racional e sustentável.


ANÁLISE DE SOLO:

A análise do solo químico é essencial para avaliar sua fertilidade. Com a interpretação dos resultados é possível realizar manejos químicos do solo de maneira eficiente e econômica. Associadas às análises físicas densidade, textura do solo, por exemplo, com as análises biológicas (atividades de enzimas) mais acessíveis atualmente, é possível realizar um diagnóstico completo e muito informativo da condição do solo. Os resultados da análise química determinam o estoque de nutrientes e os elementos químicos limitantes no momento anterior ao plantio, permitindo a correta recomendação de calagem e adubação, bem como monitorar e avaliar periodicamente o balanço dos nutrientes no solo. Além disso, o balanço de nutrientes no sistema solo-planta pode ser considerado um indicador da sustentabilidade do uso agrícola do solo.


Toda recomendação de calagem e adubação deve ser realizada com base nos resultados de análises químicas em amostras coletadas nos diferentes sistemas de produção. Evitando-se, assim, o uso de colheres fixas de calcário e de formulações de

fertilizantes, que se utilizadas sem critérios podem levar a 'desbalanços”, aplicando-se subdoses, ou em excesso.


EFICIÊNCIA AUMENTADA:

Uma das alternativas para reduzir o potencial de perda e o impacto ambiental é com o uso de fontes de nutrientes gerados. Esta categoria de novos insumos ou de fertilizantes especiais pode ser os fertilizantes de liberação lenta, que liberam os

nutrientes mais lentamente que o fertilizante comum, e os de liberação controlada, que têm suas taxas e prescrições de liberação modificada. Ambos apresentam tecnologias que alteram os padrões de liberação, atrasando a solubilização dos

nutrientes, em comparação com as fontes tradicionais.


Esses novos insumos podem aumentar a eficiência do uso dos nutrientes, reduzindo perdas por licviação (N e K), volatilização (N), desnitrificação IN] e fiação (P), e com isso aumentam a absorção pelas plantas por meio do fornecimento gradual, de acordo com a demanda das culturas. O ideal é que o lançamento seja modulado e acompanhe o ritmo de crescimento da planta, de forma a atender suas necessidades nutricionais, que vi se alterando ao longo do ciclo de crescimento e produção.


AGRICULTURA DE PRECISÃO:

Vários resultados de pesquisas e experiência prática dos agricultores têm indicado que a combinação dos conhecimentos agronômicos com as tecnologias digitais, como agricultura de precisão (AP], também pode auxiliar na melhoria da eficiência do uso de fertilizantes, pois o manejo da fertilidade do solo, sem levar em conta a variação espacial dentro das áreas de produção, pode afetar diretamente a produtividade e a qualidade ambiental. Isso porque o conhecimento da variabilidade espacial das propriedades do solo é essencial para estabelecer as zonas remanescentes de manejo, e para a aplicação localizada e à taxa variável de calcário e fertilizantes, confiante, assim, para o uso racional dos fertilizantes.


A AP tem início na coleta dos dados, análises e interpretação de informações, geração das recomendações para intervenção no campo e na colheita, é uma cadeia de conhecimentos, unindo máquinas, equipamentos, sensores com as tecnologias de

informação para apoiar a gestão agropecuária. Por isso a geração de mapas temáticos é essencial para definir as estratégias de gerenciamento mais eficientes, em especial, o uso racional de insumos.


O uso da AP como na terapia de solo georreferenciada e aplicação de insumos a taxa variável tem sido utilizado em áreas de produção, especialmente nas grandes culturas de soja, milho, cana-de-açúcar e algodão. Existem resultados para várias outras culturas e para pastagens, mostrando que é possível mapear e avaliar a variabilidade espacial das propriedades do solo e recomendar a calagem e aplicação de fertilizante com base nesses mapas. Contribui-se, assim, para aumentar a eficiência do uso e otimizar os recursos, aplicando a dose certa, no local certo e na época mais adequada,


Mas para o AP avançar ainda mais, são necessários que os mapeamentos tenham seu custo reduzido, sejam mais robustos e acurados. Para que isso seja possível, novos métodos, sensores e equipamentos estão sendo desenvolvidos, testados e utilizados no campo. À AP será cada vez mais impulsionada pelo rápido desenvolvimento da internet das coisas (loT), big data, computação em nuvem e inteligência artificial (1A), que trabalhando com a integração de interfaces e tecnologias, irá se sobrepor e englobar a AP com os sistemas de informação de gestão na agricultura,


SISTEMAS INTEGRADOS:

Um conservacionista agrícola inclui um conjunto de práticas de manejo com base no plantio direto ou revolução mínima do solo, na manutenção da cobertura permanente do solo com material vegetal e na diversificação de culturas. À adoção dessas práticas conservadoras aumenta a entrada de matéria orgânica no solo e altera suas taxas de força, favorecendo a agregação das partículas e promovendo a estrutura do solo. À rotação de culturas e a cobertura do solo aumentam a infiltração e retenção de água, regulam a temperatura, estimulam a atividade biológica e transmitem a pressão de plantas invasoras. Com a redução da perturbação do solo e preservação da sua estrutura, há o aumento dos poros condutores de água. Como consequência, há a reversão do processo de invasão, aumento da capacidade de retenção de água e da

disponibilidade de nutrientes para as plantas. O aumento da quantidade de matéria orgânica do solo (MOS] leva também a menor emissão de gases de efeito estufa [principalmente CO2, CH4, N20] para a atmosfera e redução do aquecimento global.


Os sistemas de integração lavoura-pecuária e floresta (ILPF] são opções da agricultura conservacionista, que viabilizam a recuperação de áreas com pastagens degradadas, levam a melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo, elevam a competitividade do empreendimento rural e diversificam e estabilizam a renda na propriedade rural. Além disso, rotação de culturas com leguminosas contribui para a fiação biológica de N. Diversos resultados de pesquisa indicam que há na ILPF um aumento gradativo da ciclagem e da eficiência de utilização dos nutrientes pelas plantas.



Conteúdo - John Deere Conecta - Alberto C. de Campos Bernardi - Pesquisador





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