top of page
  • Foto do escritorMaqnelson John Deere

Ciclo e controle do bicudo no algodoeiro. Saiba o que é e como identificar


Imagem: Freepik

O bicudo do algodoeiro (Anthonomus grandis Boheman) é uma praga que representa grande potencial de dano para a cultura do algodão. Portanto, é preciso que o bicudo esteja no foco do planejamento e manejo de pragas da cultura ao longo de todo ciclo, com destaque para o período entre 40 e 90 dias após a semeadura. Este período é considerado uma fase crítica de ataque do bicudo para o algodoeiro devido a fase de desenvolvimento inicial da cultura.


Devido ao ataque desta praga, a lavoura do algodão apresenta um desenvolvimento exacerbado na parte vegetativa, mas não apresentando melhorias em termos de produção . O bicudo tem capacidade de destruir de 70 a 100% da lavoura de algodão. A depender do ataque, os capulhos podem ficar totalmente destruídos internamente, com baixa qualidade de fibras e sementes.


Mas quem é essa praga?

O bicudo do algodoeiro é um besouro, da família Curculionidae, da ordem Coleoptera. Possui o aparelho bucal em formato de bico bem desenvolvido e por conta disso é conhecido como bicudo. É justamente este “bico” que ele utiliza para fazer os orifícios nos botões florais e nas maçãs do algodão. O besouro foi encontrado pela primeira vez no Brasil em 1983, no estado de São Paulo, e de lá espalhou para outros estados.


O ciclo do bicudo (do ovo ao adulto) varia em função das condições climáticas. Em condições de alta temperatura e alta umidade, o ciclo dura em torno de 20 dias. Por conta disso, em uma safra podem ocorrer até 6 gerações da praga, causando danos irreversíveis.


O adulto é um inseto de coloração variável, podendo ir do castanho ao acinzentado, mede cerca de 3 a 8 mm e possui alta capacidade de dispersão.


De modo geral, o bicudo é encontrado com mais frequência nos botões florais localizados no terço médio do algodoeiro e tem preferência alimentar por maçãs mais jovens.


O bicudo oviposita essencialmente em botões florais, flores e maçãs. Após um período de 3 a 5 dias, larvas brancas eclodem dentro destas estruturas, onde permanecem por um bom período de tempo, até que concluam o seu desenvolvimento.


Por que ele é tão agressivo?

O bicudo possui algumas características que contribuem para que ele seja considerado tão agressivo para cultura do algodão. Entre elas podemos destacar:


Capacidade de sobrevivência na entressafra alimentando-se de pólen e néctar de diversas espécies vegetais;

Alto potencial reprodutivo , sendo que cada fêmea pode ovipositar até 300 ovos por safra, a depender das condições climáticas;


Elevada taxa de sobrevivência das fases imaturas por permanecerem dentro das estruturas reprodutivas, sendo protegidas de predadores, de adversidades climáticas e do próprio inseticida utilizado no controle químico;


Ataca a parte da planta que possui interesse econômico – o bicudo oviposita e se alimenta justamente da parte do algodoeiro que é de interesse econômico: botões florais e maçãs que se tornarão capulhos.


Como identificar o ataque do bicudo em campo?

A presença do bicudo de algodão é revelada pela separação das brácteas, dos botões florais e o seu amarelecimento e queda. Após a queda, é também possível identificar se esta foi ocasionada pelo bicudo. Basta abri-los e, se forem encontradas larvas em formato de curvo e esbranquiçadas, trata-se do bicudo do algodoeiro. Outro sintoma bem característico é a flor que não se abre e adota um aspecto de balão.


O bicudo faz orifícios nos botões florais e nas maçãs para se alimentar e fazer sua postura. Como forma de identificação, é possível observar que o orifício causado por oviposição fica coberto com uma camada de cera. Já o da alimentação costuma ser menor e são vários pontos próximos.


Estratégias de controle do bicudo do algodoeiro:

Tendo visto a importância e a gravidade dos danos causados por esta praga, com todas suas características peculiares, é possível entender o motivo do controle desta praga ser considerado tão complexo e amplo. Afinal, o controle químico é apenas uma das inúmeras estratégias que precisam ser adotadas para o produtor minimizar os problemas com esta praga ao longo de cada safra. Veremos a seguir algumas estratégias que podem ser utilizadas como parte do manejo do bicudo do algodoeiro:


Controle químico – pode ser realizado ao longo de todo o ciclo da cultura, a partir da recomendação de um agrônomo responsável. Geralmente, o produtor de algodão realiza aplicações ao longo do ciclo visando controlar o bicudo desde o início da infestação.


Controle biológico – apesar de ainda não haver produtos biológicos registrados para controle desta praga, vários estudos já mostram a capacidade de alguns parasitoides e fungos ( como  Beauveria bassiana  e  Metarhizium anisopliae ) serem extremamente eficientes no controle do bicudo.


Destruição de soqueira e tiguera – a destruição dos restos culturais é fundamental para que o bicudo não tenha sua principal fonte de alimento em campo na entressafra.


Adoção de variedades precoces – quanto menos tempo as plantas ficam em campo, mais limitado é o tempo de oferta de alimento para os bicudos.


Respeito ao vazio sanitário - compreende o período sem presença de plantas vivas de algodão na lavoura, isto significa um prazo mínimo de 60 dias. Esta estratégia de manejo tem como objetivo interromper o ciclo de reprodução do bicudo.


Uso de iscas e armadilhas – O uso de iscas e armadilhas auxiliam no controle e devem ser utilizadas no período que antecede o plantio, ao longo do ciclo, e no pós-colheita (entressafra). Elas podem ser usadas para monitoramento e tomadas de decisão ou mesmo para controle, como é o caso do Tubo Mata Bicudo (TMB).


Como observado acima, muitas precisam ser as ações conjuntas entre os produtores para que o manejo do bicudo do algodoeiro torne-se eficiente e garanta uma produção satisfatória tanto em quantidade quanto em qualidade para o setor da cotonicultura.


Conteúdo: John Deere Conecta - produzido pela Marluce Corrêa Ribeiro – Jornalista e Redatora da Agromulher





25 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page