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  • Foto do escritorMaqnelson John Deere

Manejos alternativos para a segunda safra de milho


Imagem: Freepik

Você já ouviu falar de culturas de cobertura e adubação verde? Conhece os benefícios destes manejos alternativos que podem ser implementados tanto na entressafra quanto na “safrinha”. No conteúdo de hoje traremos uma situação prática para essa utilização e ainda os benefícios destes manejos para o sistema produtivo.


Em um país de dimensões continentais como o Brasil e com condições climáticas tão particulares de cada região, as práticas, culturas e manejos adotados na 2ª safra (ou “safrinha”, como é denominada em algumas regiões) são diversos e com uma infinidade de possibilidades. O produtor pode trabalhar uma cultura comercial como por exemplo o milho, o sorgo ou o girassol. Mas também pode trabalhar culturas de cobertura e adubação verde, manejos alternativos para melhoria das qualidades físicas, químicas e biológicas do solo, além do controle de pragas, doenças e nematoides pela rotação de culturas.


A definição da cultura a ser plantada na safrinha costuma ser feita ainda no planejamento da safra, mas muitos fatores podem interferir nesta decisão no decorrer do ciclo da cultura de verão. Alguns destes fatores estão relacionados às condições climáticas. Por exemplo, a previsão de chuvas para o cultivo comercial em segunda safra costuma ser decisiva na definição da cultura. E a frequência das chuvas na “safrinha” depende diretamente da semeadura ser realizada dentro da janela ideal.


Em algumas regiões do país, nesta safra 22/23, a demora na chegada das chuvas atrasou o plantio da safra verão. E isso pode comprometer a janela de plantio do milho safrinha. Alguns produtores podem não conseguir colher a soja ainda dentro da janela de plantio de milho com segurança. E como o milho é uma cultura de alto investimento, muitos produtores podem não querer correr o risco de investir nesta cultura na safrinha de 2023.


E é aí que surge a necessidade da busca por manejos alternativos para esta 2ª safra . O produtor pode, por exemplo, investir no sorgo que é uma cultura bem mais resistente à baixa disponibilidade hídrica. Pode ainda investir em culturas como o girassol ou até mesmo o milheto. E em outros cenários ele pode ainda apostar no manejo de plantio de culturas de cobertura como estratégia de controle de nematoides, por exemplo, e ainda contribuir com a qualidade do solo, seja ela química, física ou biológica.


Vamos conhecer alguns destes manejos? Continue sua leitura e entenda os benefícios e a aplicação na prática destes manejos alternativos para a segunda safra.


Alternativas para 2ª safra: Nós sabemos que uma área em pousio e/ou descoberta, além de ser sinônimo de prejuízo para o produtor - que fica com uma terra improdutiva-, pode significar grandes problemas para a safra seguinte. Afinal, um solo descoberto é a condição perfeita para a germinação da maioria das sementes de plantas daninhas; é uma condição que pode possibilitar perdas de solo por lixiviamento e gerar erosões; além de inúmeros outros problemas a curto, médio e longo prazo que geram perda da qualidade daquele solo.


Diante desta infinidade de problemas que podem ser ocasionados por um manejo inadequado tanto na segunda safra quanto na entressafra, é preciso planejamento e conhecimento sobre as diversas possibilidades que podem ser aplicadas dentro de cada talhão, a depender dos problemas e das estratégias adotadas pelo produtor.

É preciso sempre lembrar que a produção agrícola é um sistema complexo e que envolve diversos processos importantes para manutenção da produtividade de forma sustentável. Afinal, o manejo adotado nesta safra refletirá diretamente na safra seguinte. E por isso é extremamente importante pensar o sistema como um todo e não pensar as safras de formas isoladas.

Manejos alternativos na prática e seus benefícios:

Imagine uma situação hipotética onde o produtor tem uma área que apresenta problemas com determinada espécie de nematoide ( Meloidogyne javanica , conhecida como Nematoide das galhas), além de possuir um alto nível de compactação, alta incidência de plantas daninhas quando o solo fica descoberto e baixo teor de matéria orgânica. Neste ano, o produtor não investirá em milho para segunda safra porque demorou a plantar a soja e a janela ficou extremamente apertada e arriscada para o milho. Diante de tudo isso, o produtor decidiu manejar parte desta área com uma cultura de cobertura que, segundo as pesquisas, possui baixo fator de reprodução para a espécie de nematoide em questão e venha ainda contribuir para descompactação do solo e produção de palhada que será decomposta em matéria orgânica que entrará no sistema.

Junto a um técnico que presta consultoria agronômica e com os dados históricos da área registrados no sistema operacional da fazenda em mãos, o produtor analisou as melhores opções para cada um dos problemas daquele talhão e tomou a decisão de forma assertiva para a segunda safra. Ele investirá em uma cultura de cobertura para parte deste talhão nesta safrinha. A cultura escolhida, na literatura, é identificada como não hospedeira do nematoide de galhas ( Meloidogyne javanica ), contribuindo para a redução da população deste nematoide na área em questão. Além disso, a cultura ainda possui desenvolvimento de sistema radicular robusto e bom desenvolvimento de parte aérea, gerando boa quantidade de palhada para a safra seguinte. Desta forma, o produtor busca introduzir no sistema uma cultura de cobertura que venha contribuir com o manejo de vários problemas que geram prejuízos recorrentes naquele talhão.


Benefícios do uso das plantas de cobertura:

Podemos elencar diversos benefícios da utilização de plantas de cobertura. E dentre estes, podemos destacar os seguintes:


1) contribuição da cobertura espessa de palha formada pela planta de cobertura para o controle da infestação de plantas daninhas, porque reduz a passagem de luz impossibilitando a germinação de sementes de algumas espécies de plantas daninhas;

2) matéria-prima para formação de matéria orgânica que promove a estruturação do solo, a retenção de umidade , o aumento da porosidade e reposição de nutrientes;

3) aumento da porosidade do solo pelo desenvolvimento das raízes e aumento da infiltração de água, com consequente diminuição da compactação a médio e longo prazo;

4) capacidade de ciclar nutrientes no solo e disponibilizá-los posteriormente para a cultura sucessora, após decomposição e mineralização dos resíduos culturais, atuando como adubos verdes ;


5) inserção de nitrogênio no sistema por meio da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), como ocorre no caso das leguminosas;


6) cobertura e proteção do solo com redução de lixiviação e processo de erosão; entre tantos outros benefícios.


E ao conhecer estes inúmeros benefícios dos manejos alternativos com cultura de cobertura, você pode estar se perguntando: mas se estes manejos são tão bons, por que eles não são adotados em uma escala ainda maior na agricultura? E podemos te responder que muitos são os fatores práticos envolvidos.


Um fato que não pode ser ignorado é que, muitas vezes, as culturas utilizadas como cobertura, adubação verde, ou até mesmo em sistema de rotação de culturas, possuem menor valor de mercado do que as comumente utilizadas comercialmente ou nem mesmo possuem valor comercial. Afinal, seu retorno é a médio e longo prazo como investimento no sistema e no próprio solo, e o interesse destas práticas não é necessariamente o retorno econômico imediato. Elas são ferramentas para a construção de um sistema mais produtivo, rentável e sustentável. E por conta desta ausência do retorno financeiro na mesma safra, muitas vezes estas alternativas são vistas como inviáveis.


Tecnologia a favor das tomadas de decisão:

Por conta de todo esse cenário que visualizamos anteriormente, é extremamente importante incluir, pouco a pouco, estes manejos alternativos no sistema das fazendas, talhão por talhão, “um passo de cada vez”. E isso só é possível com um acompanhamento efetivo dos talhões da fazenda e o gerenciamento do desempenho a cada safra. Estes dados que podem e devem estar na palma da mão, em um sistema inteligente, conectado e eficiente, são o instrumento para a tomada de decisão que indicará como e por onde o produtor deve começar.


Fato é que, independentemente do manejo ou da cultura utilizada, a tecnologia é um fator determinante para a tomada de decisão. Uma vez que apenas munido do histórico de cada talhão o produtor poderá ter uma visão macro de sua atividade e poderá definir quais estratégias adotar para cada safra, afim de que, de forma viável, o seu sistema seja cada vez mais inteligente e sustentável. Assim como o produtor do exemplo citado anteriormente teve os dados da sua fazenda disponíveis para tomada de decisão, é preciso que os produtores rurais tenham ferramentas inteligentes que forneçam informações para dar suporte ao seu dia a dia, seja nas operações ou no planejamento de cada safra.


Conteúdo: Deere Conecta


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